Veja 5 lições que CEOs aprenderam com a pandemia

01/09/2020

Estudo da Saint Paul mapeou principais ensinamentos tirados da recessão econômica trazida pelo coronavírus

A crise econômica trazida pela pandemia de coronavírus foi um desafio para as empresas. Não só pela necessidade de isolamento social, que mudou os hábitos de trabalho e até de consumo da população, mas pela rapidez de adaptação que foi exigida. Mas, afinal, quais foram os principais ensinamentos trazidos por ela?

Um levantamento feito pela Saint Paul Escola de Negócios com 114 presidentes de companhias e empresários mapeou as principais lições tiradas desse processo. Participaram do estudo líderes de companhias como Odontoprev, Grupo Boticário, Votorantim Cimentos, Totvs, Neoenergia, BMDG, Bradesco Seguros e Itambé.

1. Empresas precisam estar no ambiente digital

Uma das primeiras constatações foi a necessidade de as companhias estarem avançadas no ambiente digital. Segundo o levantamento, no entanto, não basta haver uma “digitalização” do negócio, mas sim um “pensar digital“.

“O que muitas empresas fizeram e que não têm adiantado muita coisa é pegar o seu modelo de negócios e coloca-lo em uma plataforma digital. Mas não é só isso. Transformação digital é trazer o modelo digital para todos os canais da empresa. Ter o digital como premissa para ativação comercial, para a experiência do consumidor, para os processos do negócio”, afirma Alexandre Fialho, diretor do SEER, programa para CEOs da Saint Paul e responsável pelo levantamento.

Segundo o pesquisador, dentro desse novo contexto não basta que um varejista crie um e-commerce, é preciso entender o comportamento do consumidor dentro desse novo ambiente digital, e mapear não só as necessidades e preferências dele como formas de fideliza-lo e atendê-lo melhor.

2. Flexibilidade é fundamental

O levantamento também mostrou que os líderes perceberam a necessidade cada vez mais evidente de flexibilidade e agilidade organizacional. Isso significa que se antes as empresas traçavam um objetivo e uma meta, agora esses planejamentos precisam ser menos rígidos, para garantir que, caso a companhia seja pega de surpresa, ela consiga se adaptar ou até mesmo aproveitar oportunidades.

“No mundo tradicional se compara um mês com outro, um trimestre com outro. Mas nesse novo mundo, pautado no digital, as coisas são mais dinâmicas. Essa flexibilidade é basicamente ter uma estrutura menos ancorada em premissas estratégicas. Uma estrutura fixa não consegue se adaptar. Nela, a empresa até faz o que está prometido, mas deixa de enxergar e capturar oportunidades ao redor. Se o gestor tinha um projeto inicial, mas ao pôr ele na rua ver que fazia mais sentido fazer outra coisa, ele deve poder mudar e adaptar”, afirma Fialho.

3. Trabalho remoto traz eficiência

Com o isolamento social, muitas empresas precisaram aderir ao modelo de home office. E essa realidade de trabalho remoto (que não necessariamente significa ‘trabalho em casa’) deve se tornar uma tendência permanente, principalmente por trazer eficiência. Segundo Fialho, com o trabalho à distância, as pessoas tendem a ter mais qualidade de vida e serem mais produtivas.

Uma das mudanças, segundo o pesquisador, foi nas horas trabalhadas. “As pessoas cumprem melhor os horários em casa porque não tem mais os deslocamentos. E não há distrações ou interações que atrapalhem. Em uma reunião presencial, por exemplo, precisa esperar todos chegarem, se alguém atrasa perde-se tempo. No remoto não há isso”, afirma o pesquisador.

Outra mudança, segundo Fialho, é que remotamente criou-se um modelo horizontal de relações, onde é possível ganhar tempo. Ele explica que presencialmente, um gestor precisava falar primeiro com uma pessoa e depois com outras para uma tomada de decisão. Já digitalmente, essa comunicação é feita de forma mais geral. Assim, além de ela ser mais rápida, ela também permite mais trocas. “O falar do todo virou uma agenda comum”, diz.

4. Novo perfil de liderança

A pesquisa mostrou que há uma busca pela genuinidade e valorização do indivíduo ganharam mais espaço. “A pandemia não mudou o contexto de mundo, só acelerou mudanças que estavam por vir. A grande premissa que mudou do líder é que o mundo corporativo era um palco, onde os personagens atuavam cotidianamente em suas relações. Hoje, é mais valorizado a genuinidade e a sinceridade, o ser é mais valorizado que o representar“, afirma.

Assim, os chamados líderes “old school” podem perder seu espaço. Esses gestores, segundo Fialho, são aqueles que valorizam a verticalidade. “Ele é o ‘Chief Executive Officer’, o chefe que executa e não que inspira e lidera. Já o novo perfil de líder está mais para um curador, que está ali para garantir a horizontalidade. Ele é uma pessoa capaz de fazer uma composição para um artista cantar sem ter que aparecer mais que ele. E esse papel não é ‘um ou outro’, ele ainda mantém uma parte da agenda do chefe que executa, mas tem muito do curador“, explica o pesquisador.

5. Empresas com propósito são mais resilientes

Empresas sem propósito, mesmo que tenham objetivos bem claros, são menos resilientes em momentos de crise, segundo o levantamento. Fialho explica que o objetivo de uma companhia é que ela se saia bem financeiramente. Já o que ele chama de propósito, vai além. “É ter uma relação de ‘experienciação’. Está no campo dos sentimentos. E quanto mais você tem sentimentos, mais aguça sua sensibilidade para com os outros”, afirma.

Ele explica que ao ter traçado um propósito, a companhia se posiciona melhor diante dos seus consumidores e também tende a ter funcionários mais engajados. “Essas companhias se conectam com o externo de maneira mais bacana. Marcas que tinham uma relação de muita sensibilidade e sentimento com os consumidores ficaram mais fortes. Já as que vendiam objetivamente seu produto, mesmo que tenha qualidade e preço justo, não tiveram isso”, afirma.

Esse engajamento também acontece com os profissionais da companhia. Segundo o pesquisador, eles tendem a se identificar com aquele propósito e, assim, “vestir a camisa da empresa“, aumentando sua produtividade.

Fonte: Valor Investe

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