Superávit comercial deve perder fôlego no segundo semestre, aponta Tendências

02/07/2021

As receitas de exportação devem se manter fortes no terceiro trimestre na comparação interanual, mas se espera queda gradual nos preços das commodities

Os preços historicamente elevados das commodities, em um contexto de recuperação econômica global seguem favorecendo as receitas de exportação, possibilitando à balança comercial brasileira um superávit de US$ 10,4 bilhões em junho e de US$ 37,5 bilhões no acumulado do primeiro semestre.

As receitas de exportação devem se manter fortes no terceiro trimestre na comparação interanual, mas se espera queda gradual nos preços das commodities, na margem, o que deve tirar fôlego do superávit comercial no segundo semestre, avalia a economista Yasmin Riveli, que assina análise divulgada esta tarde pela Tendências.

No terceiro trimestre as receitas de exportação devem seguir em forte alta na métrica anual, favorecidas pelo crescimento global e pelos altos preços das commodities na comparação ante 2020, diz Yasmin.

“No entanto, para os próximos meses, esperamos uma queda gradual dos preços das commodities na margem, o que deve implicar saldos comerciais mais modestos do que o observado na primeira metade do ano”, aponta.

A perspectiva, avalia a economista, é de que o governo chinês intensifique o controle sobre o setor siderúrgico, com o intuito de limitar os níveis de produção e atingir as metas de redução de emissão de gases poluentes. Tal movimento deve arrefecer as pressões sobre as cotações do minério de ferro. Além disso, do lado do petróleo, o cenário de expansão na margem da produção norte-americana atua como fator baixista. A Tendências projeta crescimento de 40,5% do saldo comercial brasileiro neste ano, com superávit para 2021 de US$ 70,8 bilhões, resultado de exportações de US$ 257,5 bilhões e de importações de US$ 186,7 bilhões.

O boletim destaca ainda que as importações de junho avançaram 61,5% contra igual mês de 2020, puxadas por produtos da indústria de transformação. Já do lado das exportações foi registrada uma alta de 60,8%, considerando a média por dia útil, desempenho impulsionado pelo avanço dos embarques de minério de ferro e petróleo. No segundo trimestre deste ano, destaca a economista, as receitas de exportação registraram alta de 52% ante iguais meses do ano passado, com saldo comercial recorde totalizando US$ 29,6 bilhões no trimestre.

As cotações de petróleo, diz Yasmin, têm sido impulsionadas pela decisão da Opep+ de cumprir com as metas de corte de produção previstas para junho e julho, em um contexto de expectativa de expressivo aumento da demanda com o avanço da vacinação contra a covid-19 e a chegada do verão no hemisfério norte. Do lado do minério de ferro, a economista salienta que as cotações têm sido sustentadas pela demanda chinesa, pela reativação gradual da demanda ocidental e pela condição ainda restrita da oferta da commodity.

BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA
Fonte: Valor Investe

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