Recomendações do BofA para América Latina incluem cinco ações brasileiras

05/01/2021

A lista contempla B3, Bradesco, Cosan, Sabesp e Vale.

Entre as principais ideias de investimentos do Bank of America para América Latina no primeiro trimestre, há sete indicações de compra de ações na região, sendo cinco delas no Brasil. Conforme relatório divulgado hoje pelo time de pesquisa global, a lista contempla B3, Bradesco, Cosan, Sabesp e Vale.

O documento contempla ainda papéis com indicação “undeperform”, ou seja, expectativa de performance abaixo da média do mercado, que equivale a venda. Nessa lista, aparecem BR Malls, M.Dias Branco e Sanepar.

O maior preço/lucro (P/L), métrica que dá uma ideia do prazo de retorno do investimento, do grupo de compra fica para as ações da B3, com estimativa de 27,7 vezes para 2021.

A avaliação positiva para o ativo vem da alavancagem operacional que as ações da bolsa podem ter num ambiente de taxas baixas, com melhora da atividade econômica e fortes perspectivas para o mercado de capitais, com uma fila já robusta de ofertas neste início de 2021.

Conforme cita no relatório, há 33 ofertas de ações anunciadas, sendo 31 iniciais (IPO) e duas subsequentes, com um valor estimado em R$ 40,3 bilhões. Se as operações forem adiante, será o terceiro ano consecutivo de forte impulso na atividade de mercado de capitais no Brasil, com aquilo que se convencionou chamar “financial deepening”.

“Destacamos também o esforço contínuo da administração para desenvolver novos produtos e dar mais liquidez aos clientes, principalmente em um ambiente com mais contas individuais e, consequentemente, menor tíquete médio”, escreve a equipe do BofA.

O time de pesquisa também incluiu Bradesco no portfólio recomendado por entender que o banco será capaz de capitalizar a normalização da atividade econômica no país e pela boa dinâmica de resultados esperados quando divulgar os dados do quarto trimestre de 2020. Aceleração do crédito, inadimplência sob controle e tendência de queda das provisões justificam a escolha.

O BofA vê espaço para mais crescimento por força de fluxo estrangeiro para mercados emergentes e rotação de carteiras para casos de valor, como é o caso do banco, um dos maiores pesos do MSCI EM.

Cosan foi adicionada pela diversificação da companhia de energia que atua em diferentes nichos de negócios, como combustível, lubrificantes e gás natural. A expectativa é que a companhia se recupere do fraco desempenho de 2020, tanto pela demanda de combustíveis como por melhorias internas como a parceria da Raízen com a Femsa. Deve ainda se beneficiar de um processo de reestruturação corporativa.

Nos preços que vêm sendo negociadas na bolsa, as ações da Sabesp não embutem nenhuma probabilidade de privatização ou ganhos de eficiência, e por isso têm uma avaliação atraente em relação aos pares do setor de água.

O time de pesquisa diz estar relativamente otimista com a revisão tarifária da maior empresa de saneamento do Estado de São Paulo, prevista para abril, com a expectativa que o regulador estatal conduza tecnicamente o ajuste com menos incentivos e interferências políticas.

A avaliação é que o governo tem dado os incentivos corretos para pressionar por uma regulamentação favorável dado o plano de privatização/capitalização estimado em R$ 36 bilhões no programa de infraestrutura para 2021 e 2022, cita o banco.

Vale entrou na carteira recomendada em meio a um cenário de recuperação da economia mundial, com o minério de ferro próximo das suas máximas históricas. O recente guidance dado pela companhia ao reduzir as expectativas de volume sustentam os preços elevados. A empresa também está na posição de se beneficiar da rotação de valor/cíclicas e ainda pode pagar dividendos acima do esperado em março, o que pode servir de catalisador para o desempenho das ações no trimestre.

Na lista de casos no Brasil que tendem a performar mal, segundo o BofA, estão as ações da BR Malls, um dos maiores operadores de shopping centers no Brasil. Há dúvidas sobre a normalização das vendas em 2021, em meio a segunda onda de covid-19 no Brasil, e fim do auxílio emergencial.

Fonte: Valor Investe

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