Radar Junho/2020

Cenário Internacional

EUA – O PIB dos EUA caiu a uma taxa anualizada de 5,0% no 1º tri, o pior resultado desde o 4º tri de 2008.

Com a pandemia do coronavírus, esperamos retração do PIB em 2020. Para tentar contrabalancear seus efeitos, o Fed já colocou a taxa de juros em zero e medidas fiscais também foram lançadas.

UE – Para a zona do Euro, o 1T2020 teve queda de 3,6% comparado ao 4T2019 no dado dessazonalizado. Projetamos que o PIB de 2020 recue no bloco também como resultado da pandemia, que já fez com que governos e Bancos Centrais da região colocassem medidas fiscais e de afrouxamento monetário visando minimizar os impactos econômicos das paralisações, as quais agora começam a ser flexibilizadas.

Cenário Político

Bolsonaro: temperatura ainda mais alta em ameaça à Democracia

A pandemia deixou de ser tão central na realidade do governo federal. Bolsonaro passou a flertar de forma absoluta com discurso intervencionista e contrário às instituições constitucionais às quais jurou lealdade se dizendo vítima do Poder Judiciário, bem como do Congresso Nacional. A discussão sobre o ativismo da justiça é essencial, mas está longe de ser tratada dessa forma pelo comportamento pouco razoável de um presidente nitidamente acuado e disposto a manter-se no poder a qualquer custo;

•Assim, a despeito da crise pandêmica, e dos graves desdobramentos sociais e econômicos, é fato que existe uma crise política que desperta traumas autoritários com os quais Bolsonaro parece disposto a flertar ou utilizar para gerar polêmica ou pânico em parte da sociedade;

•A partir de tal ponto, as ruas, mesmo sob a lógica do isolamento, começam a efervescer. Apoiadores de Bolsonaro são quantitativamente tímidos, mas fazem barulho em defesa do presidente, espalhando mensagens de terror contra a democracia, em atos que desafiam preceitos constitucionais – a punição a tais ações é mínima e não combina com o que preconiza a Constituição;

•Nos últimos dias atos de defesa da democracia também foi às ruas e houve confronto. O clima pode esquentar em grandes cidades e pode fugir do controle;

•A relação de Bolsonaro com o Centrão mostra TOTAL afastamento de promessas de campanha e tem relação absoluta com uma busca por governabilidade que visa ao barramento de um processo de impeachment, seja via Senado ou via STF, lembrando que AMBOS demandam autorização da Câmara dos Deputados para avançar.

PIB

A 4E revisou a projeção para o PIB de 2020 de -2,3% para -6,1%. A revisão considera os impactos do avanço do coronavírus e uma paralisação parcial até final de junho;

Para abril, a produção industrial registrou queda de 18,8% em relação ao mês anterior na série dessazonalizada. Na abertura observamos que 22 das 26 atividades pesquisadas apontaram queda na produção;

Na margem, Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em maio teve alta de 4 p.p. em termos dessazonalizados. Na mesma tendência, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) cresceu 3,2 p.p. O nível baixo, porém, ainda reflete pessimismo com o surto de coronavírus no país.

PIB REGIONAL

• O resultado do PIB regional na média móvel trimestral terminada em março/2020 trouxe resultados negativos para 24 unidades federativas;

• TO (+1,9%) e MS (+1,7%) foram os estados que tiveram melhor resultado. A maior retração foi no MA, que registrou -9,1%;

• No crescimento acumulado em 12 meses até março/2020, 10 UFs apresentam resultado negativo;

• Maior crescimento em 12 meses é observado, atualmente, no Norte (2,8%) e menor no Centro-Oeste (0,2%).

MERCADO DE TRABALHO

• Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, a taxa de desocupação foi de 12,6% em abril. Em comparação ao trimestre encerrado em janeiro, a alta foi de 1,3 p.p.;

• Em termos dessazonalizados, a taxa ficou em 12,2%, em alta comparado a março (11,7%);

• O Ministério da Economia disponibilizou os resultados de janeiro a abril de 2020 do Caged. Os números refletem o bom momento de retomada pelo qual passava a economia brasileira até o aprofundamento da pandemia, a partir da segunda metade de março. No acumulado do ano, houve destruição líquida de 763,2 mil vagas.

INFLAÇÃO

• O IPCA de maio trouxe deflação de 0,38%, queda mais intensa para a série desde agosto de 1998;

• No acumulado em 12 meses, a inflação é de 1,88%;

• O grupo que mais pressionou negativamente foi Transportes, que contribuiu com -0,38 p.p., particularmente por causa da dinâmica de Transporte público (-4,60%)

• O IGP-M de maio registrou inflação de 0,28%, ante 0,80% em abril;

• O destaque do mês ficou por conta do IPA-M, cuja variação saiu de 1,12% para 0,59%. O indicador refletiu baixa de óleo diesel (-16,08% ante -15,77%).

POLÍTICA MONETÁRIA

• Em sua reunião de maio, o Copom decidiu a reduzir a taxa básica de juros em 0,75 p.p., levando a Selic de 3,75% para 3,00%;

• Conforme enfatizado no Comunicado, a queda está ligada à expectativa dos efeitos da pandemia sobre a economia, e tem motivado outras ações do BC no sentido de ampliar a liquidez e garantir o bom funcionamento do sistema financeiro;

• Ainda, a Ata trouxe argumentos para a flexibilização adicional em meio à pandemia. Considerando o cenário desafiador, projetamos que a Selic seja reduzida para 2,50% na próxima reunião e se mantenha nesse patamar até o final do ano.

POLÍTICA FISCAL

•A arrecadação tributária e previdenciária de abril trouxe queda aguda na comparação com o mesmo mês do ano passado, já refletindo os efeitos da pandemia;

•O resultado primário do Governo Central em abril foi negativo em R$ 92,9 bilhões, deixando claro que a piora nas contas públicas acontece tanto nas receitas quanto nas despesas;

•Com o decreto de calamidade pública, visando minimizar efeitos da pandemia de coronavírus, abre-se a possibilidade para que o governo amplie seus gastos sem se submeter às amarras da meta fiscal ou do teto de gastos;

•O grande risco é que parte do aumento de despesas tenha caráter permanente, afetando, então, a capacidade de estabilização da dívida pública no futuro;

TAXA DE CÂMBIO

• Ambiente externo conduziu a maior parte do movimento recente de depreciação do real. Dólar tem se apreciado globalmente por força de movimento de aversão a risco, algo que está relacionado aos efeitos do coronavírus sobre a atividade econômica global. No entanto, ambiente político interno também contribui para a instabilidade;

• Ainda assim, o patamar atual da cotação reflete o momento de pânico, devendo voltar a níveis mais baixos quando os fundamentos voltarem a ocupar os holofotes

• No curto prazo, o Banco Central continua atuando no combate à volatilidade, o que é bastante razoável diante dos custos associados a não intervenção e do grande volume de reservas que o BC tem disponível para tal

Fonte: 4E

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *