Radar Julho/2020

15/07/2020

Cenário Internacional

EUA – O PIB dos EUA caiu a uma taxa anualizada de 5,0% no 1º tri, o pior resultado desde o 4º tri de 2008.

Com a pandemia do coronavírus, esperamos forte retração do PIB em 2020. Para tentar contrabalancear seus efeitos, o Fed já colocou a taxa de juros em zero e medidas fiscais também foram lançadas

UE – Para a zona do Euro, o 1º tri teve queda de 3,6% comparado ao trimestre anterior, no dado dessazonalizado. Projetamos que o PIB de 2020 recue no bloco também como resultado da pandemia, o que já fez com que governos e Bancos Centrais da região colocassem medidas fiscais e de afrouxamento monetário visando minimizar os impactos econômicos das paralisações, as quais agora começam a ser flexibilizadas

Cenário Político

O cenário pandêmico continua preocupando o país, e o Brasil é visto no cenário mundial como caso de descontrole e pouca capacidade de atuar de maneira satisfatória. Na semana em que atingiu 50 mil mortes o presidente continuou declarando, de forma mais amena, que entende que os cuidados sejam exagerados em relação ao isolamento social – único modo sabidamente conhecido de arrefecer os efeitos do Covid-19. Prefeitos e governadores, pressionados por setores econômicos, arrefeceram medidas e em algumas cidades número de casos subiu e exigiu retrocessos.

Com o aparente arrefecimento dos ímpetos mais aguçados do presidente da República as manifestações nas ruas perderam fôlego, tanto a pauta a favor quanto aquela contrária ao Palácio do Planalto. A aproximação de Bolsonaro com o Centrão apaziguou parte do Congresso Nacional, e o discurso do presidente se tornou menos intenso. Ao mesmo tempo, a justiça elevou a temperatura sobre ações contrárias à democracia e parece disposta, a despeito de ações questionáveis, a colocar um mínimo de ordem num cenário de ruptura ou adensamento de crise institucional.

Governo segue envolvido em conflitos internos. Empresários e o astrólogo Olavo de Carvalho deram mostras de distanciamentos e protagonizaram cenas pouco razoáveis. O ministro da educação foi demitido depois de se envolver em polêmicas e apoiar manifestações antidemocráticas. Foi acusado de fugir para os Estados Unidos. Seu sucessor foi indicado, e a despeito de parecer mais equilibrado foi acusado de mentir em seu currículo: não tem doutorado, não fez pós-doc, e seu mestrado pode ser resultado de plágio. A pressão resultou em desistência. Na pasta da saúde, a despeito da pandemia, segue um ministro militar na condição de interino.

PIB

Projeção para o PIB de 2020 é de uma retração de 6,1%. A queda considera os impactos do avanço do coronavírus e uma paralisação que se estende durante o início do terceiro trimestre.

Para maio, a produção industrial registrou crescimento de 7,0% em relação ao mês anterior na série dessazonalizada. Na abertura observamos que 20 das 26 atividades pesquisadas apontaram elevação.

Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em junho teve alta de 9 p.p. em termos dessazonalizados. Na mesma tendência, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) cresceu 16,2 p.p.. Apesar da melhora, os indicadores devem se manter em níveis relativamente baixos devido às incertezas que ainda pairam sobre a economia doméstica.

PIB REGIONAL

O resultado do PIB regional na média móvel trimestral terminada em abril/2020 trouxe resultados negativos para 24 unidades federativas.

Os piores resultados foram verificados no Sul (-7,2%) e no Sudeste (-6,2%), com destaque para SP (-7,1%) e RS (-9,8%).

Na sequência, Nordeste (- 5,9%), Norte (-4,6%) e Centro-Oeste (-2,3%).

No crescimento acumulado em 12 meses até abril/2020, 14 UFs apresentam resultado positivo.

Maior crescimento em 12 meses é observado, atualmente, no Norte (2,1%) e menor no Sul (- 1,1%).

MERCADO DE TRABALHO

Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, a taxa de desocupação foi de 12,9% em maio. Em comparação ao trimestre encerrado em fevereiro, a alta foi de 1,2 p.p.

Em termos dessazonalizados, a taxa ficou em 12,6%, em alta comparado a abril (12,1%).

O resultado do Caged de maio acusou destruição líquida de 331,9 mil vagas (350,4 mil no dado dessazonalizado), menor que a observada em abril, quando houve destruição líquida de 902,8 mil vagas. O número reflete o início da retomada da atividade econômica, após o pior período em abril

INFLAÇÃO

O IPCA de junho trouxe inflação de 0,26%.

No acumulado em 12 meses, a inflação é de 2,13%.

O grupo que exerceu maior pressão positiva sobre o índice foi Alimentação e Bebidas (0,38%), com impacto de 0,08 ponto percentual

O IGP-M de junho registrou inflação de 1,56%, ante 0,28% em maio.

O destaque do mês ficou por conta do IPA-M, cuja variação saiu de 0,59% para 2,25%, refletindo tanto a recomposição dos preços internacionais do petróleo quanto a alta no preço do minério de ferro.

POLÍTICA MONETÁRIA

Em sua reunião de junho, o Copom decidiu a reduzir a taxa básica de juros em 0,75 p.p., levando a Selic de 3,00% para 2,25%.

Conforme enfatizado no Comunicado, a queda está ligada à expectativa dos efeitos da pandemia sobre a economia, e tem motivado outras ações do BC no sentido de ampliar a liquidez e garantir o bom funcionamento do sistema financeiro.

Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário será residual

POLÍTICA FISCAL

A arrecadação tributária de maio trouxe queda aguda na comparação com o mesmo mês do ano passado, refletindo novamente os efeitos da pandemia.

O resultado primário do Governo Central em maio foi negativo em R$ 126,6 bilhões, e deixa claro que a piora nas contas públicas acontece tanto nas receitas quanto nas despesas.

Com o decreto de calamidade pública, visando minimizar efeitos da pandemia de coronavírus, abre-se a possibilidade para que o governo amplie seus gastos sem se submeter às amarras da meta fiscal ou do teto de gastos.

O grande risco é que parte do aumento de despesas tenha caráter permanente, afetando, então, a capacidade de estabilização da dívida pública no futuro

TAXA DE CÂMBIO

Ambiente externo conduziu a maior parte do movimento recente de depreciação do real. Dólar tem se apreciado globalmente por força de movimento de aversão a risco, algo que está relacionado aos efeitos do coronavírus sobre a atividade econômica global. No entanto, ambiente político interno também contribui para a instabilidade

Ainda assim, o patamar atual da cotação reflete o momento de pânico, devendo voltar a níveis mais baixos quando os fundamentos voltarem a ocupar os holofotes.

No curto prazo, o Banco Central continua atuando no combate à volatilidade, o que é bastante razoável diante dos custos associados à não intervenção e do grande volume de reservas que o BC tem disponível para tal

Fonte: 4E

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