Presidente do Banco Central diz que Selic deverá ir para 3,5% ao ano

09/04/2021

Segundo Roberto Campos Neto, a inflação de hoje corrobora isso

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira que a autoridade monetária deve elevar a Selic em 0,75 ponto percentual na próxima reunião e manter a taxa básica de juros em um patamar estimulativo no fim do ciclo atual.

“A não ser que algo muito diferente aconteça, vamos nos ater ao que dissemos [na última reunião]”, afirmou.

Segundo ele, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, divulgado mais cedo, reforça esse cenário. O número veio mais baixo do que o esperado, com pressões principalmente em preços administrados, de acordo com Campos.

Ele também disse que o fechamento do hiato do produto (uma medida da ociosidade da economia) em 2022, conforme esperado pelo BC, está em linha com a Selic que a autoridade monetária projeta no fim do atual ciclo.

Inflação persistente

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira que a autoridade monetária segue considerando que a inflação atual elevada é temporária, embora tenha persistência maior do que o esperado.

“Estamos tentando enfatizar que vemos inflação mais alta e mais contaminação nos núcleos do que esperávamos”, afirmou.

Mesmo assim, “estamos comunicando que a maior parte dessa inflação é temporária, não é estrutural”. “Entendemos que [a inflação] está mais persistente do que esperávamos e estamos respondendo a isso”, disse.

Nesse sentido, ele defendeu o ‘frontload’ da política monetária, que foi a decisão do BC de elevar mais intensamente a Selic no início deste ciclo. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de 2% ao ano para 2,75% ao ano na última reunião e sinalizou outra alta de 0,75 ponto.

Campos afirmou que, embora o BC venha destacando em sua comunicação oficial a importância do quadro fiscal, “isso não significa de jeito nenhum que estamos dizendo que estamos indo para dominância fiscal” – quando altas de juros têm efeito oposto ao esperado no combate à inflação.

Questionado sobre o imbróglio envolvendo o Orçamento deste ano, ele lembrou que qualquer fator que crie incertezas fiscais afeta a parte longa da cruva de juros. Isso, por sua vez, têm efeito sobre as expectativas de inflação e condução da política monetária.

Campos também disse que a meta do BC é a inflação e que a autoridade monetária fará “o que precisar para trazer inflação para a meta”. A importância dos fluxos cambiais, por exemplo, está na maneira como isso se reflete na inflação, segundo ele.

A respeito da atividade econômica, o presidente do BC reconheceu que “com a segunda onda e expectativa de atraso nas vacinas, e também ruídos”, parte dos Índices Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) começou a cair no Brasil. Vendas e dados de cartão de crédito, de acordo com ele, mostram quadro semelhante.

Campos afirmou que espera reabertura da economia no segundo semestre, mas depois disse que isso ainda não é uma certeza.

“Ainda há muita incerteza sobre se podemos abrir a economia no segundo semestre ou não”, disse.

“O Brasil não é um campeão da vacina (na pandemia), mas está indo relativamente bem em comparação com outros países”, disse, afirmando que surpresas positivas para o crescimento neste ano poderiam vir do avanço mais rápido da vacinação.

Por fim, ele destacou que o crescimento mais forte esperado para os países desenvolvidos é positivo para os emergentes, “mas é preciso ver efeitos no curto e longo prazo” ligados à reflação no exterior

Fonte: Valor Investe

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