Perspectiva em 2021 é positiva para o mercado no Brasil e no mundo, diz B3

16/12/2020

Gilson Finkelsztain, presidente da bolsa, comemorou o início da vacinação no exterior e afirmou que injeção de liquidez vai ajudar economia global e as empresas no próximo ano

O final da pandemia deve ser acompanhado de crescimento bastante significativo do mercado de capitais, no Brasil e lá fora. A análise é de Gilson Finkelsztain, presidente da B3.

Em teleconferência com jornalistas, o executivo destacou que os mercados têm tido mais liquidez por causa de estímulos monetários (cortes de juros e injeções de dinheiro feitas por bancos centrais, no caso dos países ricos) e fiscais (gastos de governo). E que, ao final da pandemia, isso irá trazer crescimento para a economia e empresas.

“Ainda temos incertezas à frente, mas uma perspectiva e até uma certa celebração por parte dos mercados globais é que estamos conseguindo ou conseguiremos terminar essa pandemia com a vacinação em massa ao redor do mundo, que as vacinas serão efetivas. Essa é a maior esperança que todos têm para que a gente saia desse cenário e isso vai trazer crescimento para mercados com injeção de liquidez, os estímulos monetários que levam a uma perspectiva de retorno de crescimento não só no Brasil, mas no mundo todo. Isso vai se transformar em mais empregos, crescimento de empresas e oportunidades de negócios”, afirmou o executivo.

Finkelsztain destacou o cenário de juros baixos, que fez com que os investimentos de renda fixa perdessem parte de sua rentabilidade e, consequentemente, atraiu mais investidores para a renda variável em busca de ganhos maiores.

“A tendência para os mercado de capitais no Brasil ainda é muito positiva e temos ingredientes importantes se consolidando, como o aumento da chegada de novos investidores, as corretoras mais bem posicionadas, os investidores institucionais balanceando seus portfólios, buscando assumir mais risco perante a tendência de juros mais baixos e direcionando parcelas da sua alocação para ativos de maior risco. E vemos as pessoas físicas fazendo o mesmo movimento”, disse.

O executivo ressalta que o mercado está otimista com o fim da pandemia, e que isso está sendo refletido na movimentação da bolsa e com a consequente valorização de ações que tiveram muitas perdas durante o isolamento social.

“O mercado está otimista com o fim da pandemia, vemos isso com recordes em mercados de ações, valorização do real que vimos nas últimas semanas. A perspectiva do fim da pandemia está se mostrando nos mercados como algo bastante crível e que traz crescimento econômico mais robusto no mundo todo e com melhora dos setores que mais sofreram com o isolamento, que agora começaram a performar melhor, como alimentação, aéreas, shopping. Então, a perspectiva de volta à vida normal já aparece no mercado e isso dá uma perspectiva boa para os mercados de risco e para os emergentes”, afirma.

ESG

O executivo também falou a respeito da agenda ESG (da sigla em inglês Environmental, Social and Governance, que designa empresas com preocupação social, ambiental e de governança), que vem ganhando cada vez mais força. Para ele, a B3 age como um “indutor” do assunto, realizando ações que incentivam as empresas a adotarem essas medidas.

“Sempre tivemos um papel grande como indutor, principalmente na pauta de governança, de tratamento a minoritários, transparência, divulgação de resultados, etc. Sempre tivemos esse papel e cada vez mais nos posicionamos em pautas ambientais e sociais”, afirma. Ele destacou ações como a criação de índices de sustentabilidade (como é o caso do ISE). “O papel da companhia é como divulgador e indutor, trazendo transparência para os investidores fazerem suas melhores decisões”, completou.

Agenda governamental

Finkelsztain destacou, no entanto, que a agenda governamental é importante para que o mercado seja positivo no próximo ano. Ações como o avanço das privatizações, da agenda de reformas e, principalmente, do compromisso fiscal foram apontados como as principais medidas para que a retomada econômica.

Listagem de empresas menores

Questionado sobre as ações da B3 para facilitar a listagem de empresas médias, o executivo afirmou que quando os juros eram mais altos o acesso ao mercado de capitais era mais difícil tanto para as companhias médias como também para as grandes, devido à falta de demanda por parte do investidor, que preferia apostar em produtos de renda fixa que ofereciam segurança e rendimentos altos.

“Era muito difícil competir com juros altos, não era um problema de oferta no sentido de não ter boas companhias, mas tinha um problema de demanda. Não era difícil só para empresas médias, mas para qualquer empresa”, afirma.

Agora, no entanto, ele destaca que os esforços da B3 são para tornar a abertura de capital mais fácil e transparente, não só para as empresas como para os investidores.

“O que precisamos é garantir que estejamos ajudando as empresas a fazer esse caminho, se preparar para o que muda quando ela abre capital, nessa jornada de transparência, governança. Acho que é por aí, aprimorar o Novo Mercado [segmento da bolsa que lista as empresas com melhores práticas] e facilitar e simplificar o processo”, afirma.

Fonte: Valor Investe

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