Estudo revela aceitação baixa do Pix no e-commerce

08/03/2021

Apenas 16,7% dos estabelecimentos avaliados oferecem o PIX como forma de pagamento, menos da metade do percentual de aceitação do débito

Com quase quatro meses em vigor, o Pix começa a ganhar força no comércio eletrônico, mas ainda tem um longo caminho para se equiparar a outros meios de pagamento, segundo estudo encomendado pela IDid — plataforma de autenticação de pagamentos — e realizado pela GMattos — consultoria focada em e-commerce e meios de pagamento.

Conforme a consultoria, o estudo foi realizado entre 11 e 16 de janeiro, mas ainda reflete o momento atual. Ao analisar 60 dos maiores players de vendas online de diversos segmentos, o levantamento constatou que o cartão de crédito é ainda o meio de pagamento mais aceito pelos lojistas, com 98,3%, seguido pelo boleto bancário, com 75%. Em terceiro lugar, estão as carteiras digitais, ou wallets, com 50% e, em quarto, o débito, com 38,3% (somando o método por bandeira e banco).

Apenas 16,7% dos estabelecimentos avaliados oferecem o PIX como forma de pagamento, menos da metade do percentual de aceitação do débito. Esse grupo é formado 10 lojas, sendo três lojas de departamentos, duas companhias aéreas, duas lojas de moda, uma de alimentação (bebida), uma no segmento pets e uma de utensílios (eletrônico).

Do lado oposto, apenas 1 dentre as 60 lojas analisadas, não aceitava cartões de crédito (Saraiva). Mesmo assim, a modalidade poderia ser usada pelo cliente, através do Paypal.

Além da falta de um modelo de precificação transparente para utilização desse arranjo para os lojistas de modo geral, conforme já divulgado pelo Valor, justamente o fato de a transação acontecer de forma instantânea, o que poderia ser uma vantagem para a liquidação rápida da venda, encontra dificuldades no e-commerce.

Esse segmento depende da confirmação de disponibilidade de estoque, como também uma análise de risco antes da confirmação do pagamento e comprometimento da conta do cliente. No cartão crédito, isso é possível por meio de uma plataforma tecnológica de autorização padronizada e que ocorre em duas fases: pré autorização e captura.

Gastão Mattos e Marcelo de Oliveira, respectivamente, líder da IDid e head de Inovação de Produtos da IDid, explicam que não existe este padrão no Pix e já ocorreu de o consumidor finalizar o pagamento via esse novo sistema, mas a loja não ter o produto do estoque e ter que devolver esse dinheiro ao cliente, correndo o risco de perder a venda.

É possível devolver uma transação via Pix. Conforme o Banco Central, o pagador poderá negociar com o recebedor a devolução do valor pago. A devolução é uma funcionalidade disponível no Pix e é sempre iniciada pelo próprio recebedor. Entre pessoas, o processo é simples, mas entre empresa e pessoa, pode ser mais complexo. Não é funcional como se fosse como um pagamento via cartão de crédito.

“Há uma falta de padrões de interoperabilidade do Pix. Não existem regras claras de negócio [para o e-commerce]”, afirma Oliveira. “Pix hoje não contempla a realidade da necessidade do negócio. Não adianta empurrar inovação, ela tem que estar casada com a necessidade do lojista”, entende.

Ainda conforme o estudo, os boletos, embora sejam um meio de pagamento considerado arcaico, conseguem ter 75% da preferência. O levantamento explica a utilização por se tratar de um meio muito conhecido no mercado local, e com capacidade de inclusão de todos os consumidores, mesmo aqueles não bancarizados ou sem cartões de crédito.

Os pesquisadores se impressionaram também com a penetração das carteiras digitais (50%). Embora não exista um histórico para comparações, a conclusão do trabalho é que este meio de pagamento cresceu na preferência do consumidor, em função da pandemia, por sua comodidade e característica de operação contactless (pagamento por aproximação) no mundo físico. “Na wallet, é possível fazer uma compra rápida. Não precisa ficar colocando todos os dados do cartão, por exemplo. É uma proposta de valor rápida e simples”, aponta Mattos.

Carlos Netto, CEO da Matera, provedora de serviços de tecnologia para o mercado financeiro, comenta que o Pix tem demonstrado um movimento crescente na utilização entre seus clientes. Ele exemplificou que um deles, em janeiro, fez 1 milhão de transações de pagamentos via Pix, mas já em fevereiro fez 5 milhões e mencionou que espera fazer mais 10 milhões em março. “São números impressionantes”, avalia.

Na visão do executivo, como o cartão de crédito é considerado um produto de elite, o Pix, que oferece menores custos ou até zero taxas para transações entre pessoas físicas, tem uma tendência de crescimento principalmente no comércio eletrônico.

Contudo, Netto entende que é preciso que e-commerce reconheça esse público-alvo como potencial e faça campanhas que mostrem a vantagem de usar o Pix nas compras on-line.

Fonte: Valor Investe

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