Copom mantem a taxa Selic em 2% ao ano, na primeira reunião de 2021

22/01/2021

Pela quarta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 2% ao ano. O anúncio foi feito nessa quarta-feira (20) e trouxe mais uma novidade: o fim do “forward guidance”, uma espécie de compromisso assumido pelo Banco Central de manter a Selic no mesmo patamar. O Comitê ressaltou, entretanto, que isso não significa necessariamente um aumento da taxa para os próximos meses, já que o cenário econômico continua precisando de estímulos.

O Banco Central explicou que as condições necessárias para que o “forward guidance” fosse mantido deixaram de ser satisfeitas, se referindo especialmente ao fato de as expectativas de inflação terem convergido para a meta. Em 2020, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,23%, ficando fora do centro da meta do BC (de 4,00%).

O comunicado abre as portas para futuros aumentos da taxa Selic, mas isso não é grande novidade. O Comitê já havia comentado na última reunião sobre a possibilidade de retirada do “forward guidance” e o mercado já precifica o início do ciclo de alta em 2021. A grande dúvida agora é em que velocidade e magnitude a taxa básica será elevada. E isso ninguém sabe, nem mesmo o Banco Central, uma vez que vai depender de muitas variáveis econômicas daqui para frente. De qualquer maneira, mesmo com as futuras altas, a expectativa é que a taxa Selic continue em patamares reduzidos em relação ao histórico no curto e médio prazo. Então, nada de sair vendendo todas as suas ações para colocar na renda fixa.

Ao todo, o tom ligeiramente mais “hawkish” (posicionamento mais rigoroso) adotado pelo comitê deverá trazer alívio à taxa de câmbio.

De qualquer maneira, o corpo decisório do BCB deixou claro que um abandono do “forward guidance” não implica em um aumento mecânico da taxa de juro longo em seguida. O ritmo de crescimento da economia segue com incerteza acima do usual e as condições objetivas da economia continuam prescrevendo um extraordinário grau de estímulo monetária. O desemprego continua em nível extremamente alto, as pesquisas setoriais apontam para constante arrefecimento do processo de recuperação e, em 2021, a ausência de diversos estímulos monetário e fiscal, acoplado ao agressivo ressurgimento da covid-19, deverá pesar sobre o nível de atividade.

Economistas de instituições associadas à ANBIMA, que formam o Grupo Consultivo Macroeconômico, projetam aumento da Selic a partir do começo do segundo semestre. Para o grupo, os juros básicos da nossa economia podem passar dos atuais 2% para 2,25% em agosto, com altas subsequentes até dezembro, encerrando 2021 em 3%.

O agravamento da pandemia ao redor do mundo não deve reverter o processo de recuperação econômica global, segundo o grupo, mas o crescimento deve, entretanto, se manter assimétrico, com destaque positivo para Estados Unidos e China. A projeção do câmbio para o encerramento de 2021 é de R$ 5,10, com valorização de 1,86% do real no ano.

A decisão era esperada pelos analistas, porém, isso não significa que nada muda para os investidores. É preciso lembrar que as decisões de investimentos devem ser tomadas sempre com base no que deve acontecer com os juros daqui para frente, e não com base na Selic atual.

Seguimos atentos ao cenário, comunicados do Banco Central e notícias relacionadas à inflação e ao Governo.

Alexsander Queiroz Silva

Aware Investments

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