Com Selic baixa, custo da dívida pública tem menor nível da série histórica

28/04/2021

No entanto, com vencimentos de títulos se aproximando, Tesouro terá de encontrar compradores para bilhões de reais em títulos até o fim deste ano

O custo médio acumulado nos últimos 12 meses do estoque da Dívida Pública Federal (DPF) fechou março em 7,64%, uma queda em relação ao índice de 8,11% ao ano registrado em fevereiro, justamente no período em que a Selic atingiu as mínimas históricas.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luís Felipe Vital, que o custo médio da DPF é o menor da série histórica. No entanto, ele lembra que os meses de abril e maio concentrarão vencimentos estimados em R$ 423,8 bilhões. Já em setembro e outubro, esse valor é superior a R$ 490 bilhões em títulos. “Temos um vencimento bastante expressivo em abril de 2021”, disse.

Em outras palavras, para que a rolagem da dívida se mantenha nesse nível após os vencimentos próximos, o Tesouro terá que encontrar compradores para centenas e centenas de bilhões em títulos de dívida até o fim deste ano.

Um fator que contribuiu para a redução custo da dívida foi o patamar mais baixo da Selic se comparado a outros momentos históricos. A taxa serve como referência para o pagamento de pós-fixados, o que corresponde a pouco mais de 1/3 da dívida.

Segundo dados do Tesouro, o colchão de liquidez totalizou em março R$ 1,119 trilhão, aumento de 19,96% em relação a fevereiro. “Valor de fim de março de 2021 seria suficiente para pouco mais de sete meses à frente”, disse Vital. “É um indicador bastante volátil”, disse.

Crescimento

Ainda que o custo da dívida tenha diminuído, o montante dela cresceu 0,85% em termos nominais na passagem de fevereiro para março, somando R$ 5,242 trilhões. O número ficou fora da meta estabelecida no Plano Anual de Financiamento (PAF), que determina uma oscilação entre R$ 5,6 trilhões e R$ 5,9 trilhões em 2021.

De acordo com números divulgados hoje pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) registrou uma alta de 0,74%, para R$ 4,987 trilhões em março. Já a Dívida Federal Externa somou R$ 255,46 bilhões (US$ 44,84 bilhões), o que representa um aumento de 3,04% na comparação com os números de fevereiro.

BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA
Fonte: Valor Investe

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