Análise fundamentalista: o que é, como funciona e para que serve?

02/03/2021

Investir em Ações pode ser uma maneira de diversificar seus investimentos e buscar rentabilidade para sua carteira. No entanto, empresas que não estão financeiramente saudáveis representam um risco maior para o seu portfólio. Por isso, vale a pena conhecer a análise fundamentalista.

Você já ouviu falar dela? Investir em Ações não deve ser como uma loteria, deixando você à mercê da sorte. Com a análise fundamentalista, é possível analisar empresas de uma forma objetiva para avaliar o nível de solidez e a perspectiva delas para o futuro.

Quer aprender o que é análise fundamentalista, qual é seu objetivo e como ela funciona? Continue a leitura e confira as informações deste conteúdo!

O que é análise fundamentalista?

A análise fundamentalista é um método usado na avaliação da saúde financeira e organizacional de uma empresa. Ela recebeu esse nome por envolver a observação de fundamentos — que são indicadores que podem dizer muito sobre a companhia.

Quer ver um exemplo de fundamento? Um deles é o EBIT (Earning Before Interest and Taxes, ou lucro antes de juros e Imposto de Renda). Ele indica o lucro da empresa depois de se descontar as despesas operacionais, mas antes de se deduzir juros e Imposto de Renda.

O EBIT e outros indicadores aparecem na DRE (Demonstração de Resultados do Exercício) da empresa. As companhias divulgam seus resultados trimestralmente e o mercado costuma aguardar os dados com muita expectativa.

Afinal, é por meio deles que os investidores avaliam se farão ou manterão seus aportes na empresa. Ao analisar os fundamentos, também é possível comparar os resultados de uma empresa com os de outra semelhante. Desde que sejam do mesmo setor e de tamanho similar.

Fatores microeconômicos e macroeconômicos

Uma análise criteriosa de negócios não considera apenas indicadores financeiros da empresa. Ela pondera também fatores mais amplos. Por exemplo, a competência das pessoas que estão na gestão da companhia, bem como seu posicionamento em relação à concorrência.

Esses são aspectos microeconômicos, pois dizem respeito ao negócio em si. Há, ainda, elementos macroeconômicos. Eles se referem a questões que são externas à empresa, mas a afetam. É o caso da inflação, da taxa Selic e de eventuais crises econômicas.

Para que serve a análise fundamentalista e quando usá-la?

Com a análise fundamentalista, você pode encontrar as melhores Ações para investir, visando objetivos de longo prazo. Assim, ela é muito utilizada por investidores que têm uma visão de futuro na bolsa de valores.

Por outro lado, há pessoas que operam na bolsa com objetivos de curtíssimo prazo. Por exemplo, o day trade envolve operações que se iniciam e são finalizadas no mesmo dia. Nesse caso,outras técnicas de análise são adotadas..

Mas se os seus objetivos são de longo prazo, como a aposentadoria ou os estudos dos filhos, a sua intenção é se manter sócio de boas empresas. Logo, é preciso se preocupar com a solidez da companhia, certo?

A análise fundamentalista de Ações atende justamente a essa necessidade, ajudando investidores na escolha de negócios sólidos e com boa perspectiva.

Naturalmente, não existe uma empresa perfeita, que ofereça cem por cento de segurança. No entanto, uma análise cuidadosa pode ajudar você a aumentar as chances de investir em empresas financeiramente saudáveis e resilientes.

Quais são os principais indicadores fundamentalistas?

Você já entendeu o que é análise fundamentalista, como ela funciona e quando deve ser usada. Nós também citamos o EBIT para exemplificar o que é um indicador. Que tal conhecer outros indicadores fundamentalistas?

Veja alguns dos principais:

  • DY (dividend yield) – indica quanto a empresa distribuiu como dividendos em relação ao preço da Ação nos 12 meses anteriores;
  • P/VPA – mostra como está a relação entre o preço da Ação e o valor patrimonial dela;
  • P/L – mostra a relação entre o preço da Ação e o lucro gerado por ela;
  • EBITDA (Earning Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization) – indica o lucro após descontar as despesas operacionais, mas antes da dedução de taxas, Imposto de Renda, depreciação e amortização;
  • dívida bruta sobre o patrimônio líquido – a relação ajuda a conhecer o nível de endividamento da empresa.

Como usar a análise fundamentalista na hora de investir?

Depois de conhecer os principais indicadores fundamentalistas, é comum se perguntar como usá-los em uma análise. A verdade é que o tema envolve bastante estudo. Enquanto começa a se familiarizar com o assunto, talvez você sinta dificuldade de entender o que cada número quer dizer.

Vamos imaginar uma empresa com um P/VPA de 1,5. O que esse resultado indica? Ele mostra que o valor de mercado de uma Ação está uma vez e meia maior que seu valor patrimonial. Entretanto, sem uma referência, a informação pode não ter muita utilidade.

Assim, tão importante quanto conhecer os números, é compreender como funciona a interpretação dos dados. Depois de algum tempo, você desenvolverá familiaridade com os indicadores. Então, conseguirá entender como está a saúde financeira dela.

Análise conjunta de indicadores fundamentalistas

É importante ter em mente também que analisar apenas um indicador pode levar o investidor a cometer erros. Imagine uma empresa que esteja sendo acusada de fraudes e outros crimes. Quando ela anuncia a troca de pessoas na diretoria, suas Ações talvez se valorizem, e o P/VPA pode melhorar.

Mas será que isso significa que a empresa está bem? Pode ser que não, já que a situação não está sendo analisada como um todo. Por isso, ao fazer a análise fundamentalista de uma empresa, considere diversos indicadores para tomar a melhor decisão possível.

Por fim, lembre-se de que Ações são renda variável e apresentam riscos, e eles não podem ser eliminados. Por isso, antes de investir nelas, leve em conta os seus objetivos e o seu perfil de investidor.

Como vimos, a análise fundamentalista pode ser de grande ajuda para você tomar boas decisões ao investir na bolsa. Vale a pena estudar sobre o assunto e entender cada vez mais sobre investimentos de renda variável. Assim, torna-se viável manejar os riscos!

Fonte: Anbima

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